Fred sonha presentear pai ‘boleirão’ e a torcida do Flu com título

‘Globo Esporte’ visita o jogador em Minas e mostra a relação do jogador com a família. Jogador espera entrar para a história do clube

‘Quero colocar minha família inteira em campo para a gente dar essa volta olímpica no último jogo’. A frase de Fred mostra bem o quanto ele espera retribuir, nesta reta final de Campeonato Brasileiro, todo o apoio que recebeu da família, principalmente de seu progenitor, o maior incentivador na carreira. Seu Juá, como é conhecido, também foi jogador e acompanha todos os passos do atacante do Fluminense.

De volta ao time depois de passar meses se recuperando de uma lesão na panturrilha, Fred voltou no jogo contra o São Paulo. Fez um gol, mas perdeu outros. Levou “bronca” do pai:

– Ele é corneteiro. Falou que era para eu ter feito três. Falei: “Pai, um está bom demais, estou voltando agora”. Fala que seu jogasse 30% do que ele jogou eu estava bom. Fica pegando os amigos dele para falar. Eu respondo: “Não jogou nada, não tem gravação, não tem revista…”. Mas ele tem os vídeos dele. Jogou muita bola. Diz para a família inteira que marcou o Dadá Maravilha. Diz que deitou, que fez isso, fez aquilo. Mas quanto foi o jogo? 1 a 1. Gol de quem? De Dadá. Uma vez fui receber um prêmio aqui e estava o Dadá. Aí pedi ele para contar a história. É um boleirão, tem todos os recortes de jornais, filma tudo o que passa de mim.

Fred concedeu uma longa entrevista para o “Globo Esporte”. Confira outros trechos abaixo:

A quem dedicaria o título

“Por trás da gente sempre tem muitas coisas. Primeiramente sempre vem Deus, depois minhas família – pais, irmãos, filha -, pessoas que estão do meu lado em todos os momentos, meus amigos… Aí a gente fala dos companheiros, que me deram força durante os momentos difíceis, o clube, a torcida, que está fazendo por merecer desde o ano passado… Mas acho que está muito cedo para falar em título. Uma das maiores preocupações nossas é focar no próximo jogo apenas, que é contra o Palmeiras. Acho que esse campeonato só vai ser decidido na última rodada, contra o Guarani, mas espero que o título fique com a gente”.

Apoio da família

“Esse título tem que sair, para ver se eu levo para o velhão boleirão. Está me acompanhando, filmando tudo desde o início da carreira. Quero colocar minha família inteira em campo pra gente dar essa volta olímpica no último jogo”.

Ano difícil por causa das contusões

“Está sendo, apesar de tudo que passei, um ano de muito crescimento, muita felicidade. O Fluminense é o lugar que estou sendo mais feliz em toda a minha carreira. Mas, em compensação, é onde tenho mais responsabilidade. Pelo para isso eu já me sentia preparado. Antes de chegar ao clube, eu estava lutando para encontrar uma felicidade no ambiente de trabalho, no meu dia a dia – na derrota, na vitória ou no empate. Fica mais gostoso quando vêm as vitórias. No ano passado, nós brigamos para não cair e para mim foi como um título. Chegamos na final da Copa Sul-Americana e não ganhamos também. Então está todo mundo nessa expectativa de conquistar o Brasileiro de 2010. Mas foi o que eu falei: nós vamos na humildade, no trabalho, na seriedade, na força do grupo. Tem que parabenizar esse grupo por tudo o que fez no campeonato, pelas ausências que teve o time. Destacar o comando do Muricy, que muitas vezes não tinha nem jogador da função para colocar e ele conseguiu motivar todo mundo, tirar o melhor de cada um para ajudar. Os jogadores menos experientes, os mais experientes, o Conca, que pra mim é o craque do campeonato. Se for analisar o Fluminense, tem muita coisa boa no clube. Eu nunca trabalhei com ambiente tão gostoso, tão feliz e tão sincero como o do Fluminense. Quando tem probleminha… E tem, né? Imagine 30 homens todo dia… Às vezes, se relaciona mais com os companheiros do que com a própria família, os amigos… forma uma família. Então é tudo resolvido na conversa”.

Título antecipado com Fred em campo por mais jogos

“Não sei (se já teria sido campeão). O Flu teve umas perdas fortes: eu, Deco, Diogo, Emerson em grande parte do campeonato. Mas, como está muito nivelado, não tem jogo fácil, não dá para saber. Eu sou feliz pelos números, pelo que represento… Quando estou em campo os jogadores me dão força, quando estou fora falam para mim que estou fazendo falta. Isso é gostoso ouvir. Mas, é o que falei: a força do grupo todo foi comprovada. Mesmo com as perdas, o Fluminense se manteve ali na briga pelo título, na maior parte do tempo em primeiro”.

Relacionamento do grupo

“Lá dentro do clube cada um tem o seu estilo em campo, fora dele. Eu gosto mais de falar, de cobrar, de orientar, de ser cobrado. Gosto mais desse contato de olhar no olho. O Conca já lidera de uma outra forma, chamando a torcida, decidindo um jogo. Tem o Fernando Henrique, o Leandro Euzébio, com aquele jeito meio bronco dele, o Berna, que é inteligente… Mas o mais importante é que todo mundo tem liberdade para cobrar. E sempre sabendo que quem comanda mesmo lá é o Muricy, ele que manda prender e manda soltar. Uma coisa que o Muricy conseguiu implantar foi tirar o máximo de cada jogador. Seja no treino, seja nos jogos, os atletas estão sempre trabalhando no limite. E isso aí, se ele não conseguisse impor, acho que a gente teria perdido muitos pontos, por descuido, por desleixo. Cada hora ele falava: “Já ganhei esse campeonato, eu sei a dificuldade, então pensa como decisão a cada jogo”. Então, o Muricy fortaleceu essa base que tinha desde o ano passado. Foi só melhorado, com os reforços, com a experiência”.

Muricy Ramalho e o “não” para a Seleção

“A postura dele foi de admirar mesmo. Quando se trata de seleção… Mas ele sabia que por trás tinha um projeto, uma nação de torcedores, e os jogadores, né? Mas acho que não foi, como ele disse nas entrevistas, pela palavra dele. Todo mundo que não conhecia o Muricy passou a conhecer bem, viu que o cabra é bom mesmo”.

Emoções diferentes vividas pelos tricolores nos últimos anos

“A torcida do Flu sempre me acolheu bem, sinto que nossa relação é perfeita. Ela me admira muito, confia muito em mim. Só ouço palavras de carinho, de incentivo. Isso aí é bom ouvir, me deixa mais à vontade no clube. Ao mesmo tempo aumenta minha cobrança interna, de trazer títulos, de entrar de vez para a história, para deixar esse povo todo aí feliz. Todos os jogadores estão em busca disso. Desde o ano passado o movimento que ela fez para nos apoiar… Tomamos de quatro da LDU, eles levaram mais de duas mil pessoas no aeroporto. Depois, lotaram treino, fizeram corredor no Maracanã na final. Então, acho que está tudo dando certo para a gente merecer isso aí. Mas faltam duas decisões ainda”.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: