Conca assume má fase, traça metas e avisa: ‘Cirurgia não será desculpa’

Apagado em 2011, craque do Brasileirão encara cobranças ‘concentrado’ em casa e tranquiliza tricolores: ‘O importante é como as coisas terminam’

Se o torcedor do Fluminense pudesse dar um conselho ao seu principal jogador, certamente diria: “Sai de casa, Conca!”. Não, ninguém que ver o craque argentino perambulando pela rua à toa. Explica-se: de volta ao time na quarta rodada da Taça GB após cirurgia no joelho esquerdo, o camisa 11 tricolor ainda está longe de repetir as atuações que o transformaram no melhor jogador do último Brasileirão. O reflexo disso, porém, não são vaias das arquibancadas ou cobranças sejam lá quais forem. O prestígio segue inalterado. O problema é a insatisfação pessoal do jogador.

– Por ter ficado chateado com os jogos, não tenho curtido muito. Eu sou assim. Quando não jogo bem, é difícil me tirar de casa – revelou.

E Darío Conca costuma ser assim: sensato. O fato de ter sido o principal responsável pelo título do Brasileirão de 2010 não o alçou ao status de estrela ou o fez cobrar privilégios. Pelo contrário. Voltou aos campos antes do previsto, deu a cara a tapa e encara de frente as críticas pelas atuações irregulares.

Em entrevista na Cidade do México, onde o Flu encara o América, nesta quarta, às 21h50m (de Brasília), no Azteca, pela terceira rodada do Grupo 3 da Libertadores, Conca assumiu com naturalidade o mau momento e deixou claro que as cobranças que mais o incomodam são as que tem consigo próprio.

Não uso a cirurgia como desculpa. Os doutores e fisioterapeutas fizeram um grande trabalho, o Ronaldo (Torres) na preparação física, o Muricy, que cobra e sabe o quanto posso render. Tudo tem acontecido como no ano passado”
Darío Conca, meia do Fluminense

– Estou tranquilo por ter feito uma cirurgia correta, todo mundo fez um trabalho bom durante a pré-temporada, o Muricy tem ajudado a voltar a ser o jogador que fui no ano passado, mas sou o primeiro a saber que não joguei bem.

A auto-análise faz até mesmo com que o argentino descarte qualquer tipo de associação do momento irregular com a artroscopia realizada em 27 de dezembro no joelho esquerdo.

– Não uso a cirurgia como desculpa. Os doutores e fisioterapeutas fizeram um grande trabalho, o Ronaldo (Torres) na preparação física, o Muricy, que cobra e sabe o quanto posso render. Tudo tem acontecido como no ano passado.

E é justamente por saber que as coisas têm sido conduzidas como no melhor ano da carreira que ele mantém a serenidade para recuperar o bom futebol. E a meta é ser ainda melhor do que em 2010.

– Não é preciso fazer nada diferente. Somente ter calma. Quando faço gols, quero fazer mais. Se dou assistências, quero mais. Se corro, quero correr mais. Quando se tem vontade, esse desejo não falta.

Sendo assim, Darío manda um recado aos torcedores preocupados como início de ano tricolor.

– O mais importante não é como começam, mas como terminam as coisas.

Sendo assim, não há dúvidas que os tricolores querem que as coisas terminem com Conca fora de casa.

Confira toda a entrevista do argentino:

Você tem recebido críticas pelo desempenho neste início de temporada. Queria que você fizesse uma auto-análise destes seus sete primeiros jogos no ano?


Sabia que ia ser difícil. Até para pegar ritmo. E isso não é desculpa. Estou tranquilo por ter feito uma cirurgia correta, todo mundo fez um trabalho bom durante a pré-temporada, o Muricy tem ajudado a voltar a ser o jogador que fui no ano passado, mas sou o primeiro a saber que não joguei bem. Tudo isso melhora com trabalho. Espero ajudar o mais rápido possível no que me faz feliz, que é ver o Fluminense ganhar.

Acha que faltou paciência de algumas pessoas, até mesmo por você ter voltado antes do tempo previsto?

Voltei na hora que me senti bem para isso. Sempre falo que se acontecer algo o primeiro culpado sou eu. Todo mundo tem me ajudado muito, e isso é importante. Tenho tranquilidade para trabalhar e busco o melhor para jogar da maneira que sei jogar. O mais importante é sempre ajudar os meus companheiros e ver o Fluminense ganhar. O time precisa de todo mundo. Não adianta só eu jogar bem.

Muita gente cita a lesão para justificar esse início de temporada. Você vê esse seu começo de ano diferente os últimos realmente ou essa demora para engrenar é algo que está acostumado?

Os anos são diferentes, mas não uso a cirurgia como desculpa. Os doutores e fisioterapeutas fizeram um grande trabalho, o Ronaldo (Torres) na preparação física, o Muricy, que cobra e sabe o quanto posso render. Tudo tem acontecido como no ano passado. Agora depende de mim para voltar a jogar bem e ajudar o clube, que é o mais importante. Não penso no lado pessoal.

Por tudo que foi feito no ano passado, você já esperava uma cobrança maior esse ano? Acredita que isso também influência nas críticas?

As cobranças sempre aumentam. Desde que cheguei, sabia que a cobrança e pressão em um clube como o Fluminense são grandes. Preciso ficar tranquilo, porque vontade não falta. Não é preciso fazer nada diferente. Somente ter calma.

Seu ano de 2010 foi praticamente perfeito e o início de 2011 não tem sido tão bom. Quando você estava nas suas férias, o que idealizava para a temporada?

O ano está apenas começando. Muita coisa boa pode acontecer ainda. Sempre pensei que podemos conquistar grandes títulos e grandes coisas. A primeira coisa que vem na minha cabeça é que esse ano ainda pode ser melhor. Para isso, todos nós trabalhamos. Podemos conseguir grandes coisas.

A Libertadores, porém, é o grande objetivo e as coisas não têm acontecido. Como você, único remanescente do time titular em 2008, encara essa situação?

Em 2008, tínhamos quatro pontos nesta altura. Começamos um pouco diferente, mas espero que o final também seja, com título para o Fluminense, que é o que ainda falta.

Em algumas oportunidades, você já deu exemplos de cobranças que faz consigo mesmo para melhorar. Depois de tudo que realizou em 2010, o que o Conca ainda precisa melhorar?

Sempre temos coisas para melhorar. E é importante pensar assim. Apesar do que aconteceu ano passado, não posso me conformar, me acomodar. Tenho que sempre querer fazer mais gols, chegar mais ao ataque. E busco isso a cada treino.

Há algo específico que ainda o incomode?

Quando ganhei os prêmios no ano passado, não me senti melhor. E hoje também não me sinto pior. Sei que a hora certa vai chegar. Se não chegar, fiz de tudo para que acontecesse.”
Conca sobre a seleção argentina

Tudo incomoda (risos). Quando faço gols, quero fazer mais. Se dou assistências, quero mais. Se corro, quero correr mais. Quando se tem vontade, esse desejo não falta. Preciso sempre melhorar para ajudar o Fluminense. A cobrança é muito grande e não podemos deixar escapar a Libertadores.

Nem mesmo depois de tudo que você fez ano passado, de todo o reconhecimento, ainda não surgiu a oportunidade pela seleção da Argentina. Você já parou para pensar no que ainda pode fazer para ser chamado?

Se não estou lá é porque falta alguma coisa. Estou tranquilo e muito bem no Fluminense, onde sou feliz. Se um dia for para chegar a hora para ser convocado, vai chegar. Quando ganhei os prêmios no ano passado, não me senti melhor. E hoje também não me sinto pior. Sei que a hora certa vai chegar. Se não chegar, fiz de tudo para que acontecesse.

Queria que você falasse também sobre o jeito Conca de ser. Você é um cara recatado. O que faz no dia a dia para se divertir, passar o tempo…

Dentro do grupo me solto mais, em casa… Mas fora sou um cara tímido. Nas horas livres, gosto de sair para almoçar, jantar, ir para praia quando tenho tempo e estou bem. Só que ultimamente, por ter ficado chateado com os jogos, não tenho curtido muito. Eu sou assim. Quando não jogo bem, é difícil me tirar de casa.

E musicalmente, o que mais te agrada?

Gosto de música da Argentina. Agora no Brasil, todo mundo escuta pagode e entro nessa também. Revelação, Exaltasamba… Vou no que todo mundo escuta (risos). Televisão eu não vejo muito. Só quando tem um jogo que fico assistindo por amar futebol.

Há algum artista argentino que seja seu preferido?

Gosto do Maná, é o meu preferido. Também há o “La Nueva Luna”. São os que mais escuto. Já até fui a um show do Maná no Rio.

Você se sente mais portenho ou carioca hoje em dia?


(Risos) Sempre falei que no Rio todo mundo sempre me tratou bem, adoro a cidade, mas sou argentino. Moro em Buenos Aires, minha família mora lá, nasci lá, e continuo amando o meu país. Mas reconheço o carinho pelo Brasil, que é minha segunda casa.

E futebolisticamente, quais são suas principais preferências?

Vi muito Aimar, Ortega, Rivaldo em um grande momento, Zidane, Ronaldo…. Há muitos. O Maradona, que é algo diferente para nós, argentinos, um ídolo. Mas o jogador que mais gostei de ver jogar foi o Fernando Redondo, o volante. Sempre parava para ver os jogos dele onde quer que fosse. Para mim, foi um dos melhores que vi no mundo depois do Maradona. Assistia jogos dele jogar no Real, no Milan… Foi quem eu mais acompanhei na infância. Se um dia puder somente cumprimentá-lo, vou ficar muito feliz.

Para encerrar, seria errado te desejar um “Feliz 2011” agora? Dá para dizer que seu ano ainda não começou?

Que começou, começou (risos). Mas sempre falo, o mais importante não é como começam, mas como terminam as coisas. Sabemos que o time não começou bem a Libertadores, mas temos uma força muito grande e esperamos terminar com o título. Queremos dar alegrias para que o clube tenha um 2011 ainda melhor do que 2010.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: