De virada sobre o América-MEX, Flu e Deco renascem na Libertadores

Tricolor sofre, mas vence por 3 a 2 no embalo da torcida e do meia, que faz o gol da vitória após dois meses fora por conta de uma lesão na coxa

O Fluminense entrou em campo, nesta quarta-feira, sabendo que a vitória era essencial para continuar dependendo apenas de si na Libertadores. A torcida, que compareceu em pequeno número (13.158 presentes), fez seu papel e apoiou do primeiro ao último minuto. Até jogadores que vinham sendo vaiados, como Julio Cesar, tiveram seus nomes gritados. Mas foi sofrido. Evocando mais uma vez o lema “time de guerreiros”, o Tricolor ficou duas vezes atrás do placar, mas conseguiu a vitória sobre o América-MEX por 3 a 2 e segue vivo na competição, graças a Deco. Fora do time há dois meses, por conta de uma lesão na coxa, o meia marcou o gol da vitória aos 42 do segundo tempo. Também foi dele o passe para o gol de Araújo, que empatou a partida aos 34 (Gum fez o outro do Flu. Sanchez e Digão, contra, marcaram para o time mexicano).

Com o resultado, o Fluminense fica com cinco pontos e assume a terceira posição do Grupo 3. O América-MEX segue em segundo, com seis, logo atrás do Argentinos Juniors, que tem sete.

O Fluminense volta a campo pela Libertadores no dia 6 de abril, contra o Nacional. O jogo será disputado no Uruguai. No dia seguinte, o América-MEX recebe o Argentinos Juniors. Neste domingo, pelo Campeonato Carioca, o time das Laranjeiras encara o Vasco.

Gol esquisito e pressão tricolor

Antes de a bola rolar, o torcedor fez questão de demonstrar o ressentimento com o ex-técnico Muricy Ramalho, que deixou o clube disparando críticas à estrutura do clube. Em faixas, a torcida chamou o treinador de “amarelão”, “traíra” e “mentiroso”. Os torcedores também gritaram o nome de Abel Braga, que conversou com o presidente Peter Siemsen e acertou sua volta ao Tricolor em junho, quando termina seu contrato com o Al-Jazira (Emirados Árabes Unidos).

Foi neste clima que o Fluminense partiu para cima desde o começo. Em menos de dez minutos, o Tricolor conseguiu assustar o goleiro rival duas vezes, em cobrança de falta de Souza e chute de longa distância de Valencia. As duas tentativas passaram muito perto do alvo. O América-MEX parecia interessado em deixar apenas o tempo correr e tentar surpreender em contra-ataque. Logo no início, dois jogadores do time mexicano foram atendidos fora do campo, retardando a partida. As cobranças de lateral da equipe visitante também demoravam.

Até que uma falha da defesa tricolor tornou o cenário ainda mais tenso. Em uma disputa de bola com o atacante Sanchez, Digão se enrolou e precisou da ajuda de Ricardo Berna. O goleiro saiu do gol, pulou, pegou a bola e trombou com o zagueiro. Na queda, Berna soltou a bola, que caiu nos pés de Sanchez. O jogador só teve o trabalho de empurrar a bola para as redes e fazer 1 a 0 para os visitantes, aos 14. Os jogadores do Fluminense reclamaram muito, mas não houve falta de Sanchez em Berna, embora o atacante também tenha tocado no goleiro após o salto.

Mas o gol do América-MEX não abateu o Fluminense. A torcida pediu: “vamos virar, Nense”. E o time foi para o ataque. A ofensiva deu certo logo naprimeira tentativa, aos 21. Conca cobrou falta de longe, a bola bateu na barreira e voltou em seus pés. O argentino cruzou na área, Gum subiu mais que a zaga e contou com a saída atabalhoada do goleiro adversário para deixar tudo igual. No lance seguinte, o zagueiro quase fez o segundo, após bonita arrancada de Mariano pela direita. O lateral colocou a bola na cabeça do companheiro que, desta vez, errou o movimento e bateu com o ombro na bola.

A pressão tricolor continuou até o fim da primeira etapa, mas sem sucesso. Fred cruzou uma bola para a pequena área para Emerson. A zaga do América-MEX cortou em cima do lance. Em cobrança de escanteio, foi a vez de Fred ter uma chance, mas o atacante mandou para fora. Souza também tentou surpreender o goleiro adversário com um chute de longe, mas Navarrete conseguiu defender. O Fluminense ainda pediu um pênalti em um lance que Cervantes dominou a bola com o braço. O lance, porém, foi fora da área e o juiz deu a lei da vantagem.

O América-MEX só assustou no minuto final da etapa, com um chute de Montenegro, após cruzamento da direita. Ricrado Berna fez bonita defesa e impediu o segundo gol da equipe mexicana.

Deco garante a vitória

O Fluminense voltou para o segundo tempo como começou o primeiro: pressionando o adversário já em seu campo de ataque. Logo no primeiro minuto da etapa, Fred recebeu na área e chutou cruzado. Navarrete defendeu para o meio da área, mas nenhum tricolor conseguiu completar a jogada e a zaga afastou. Em seguida, Emerson arriscou de longe e tirou tinta da trave.

Aos 6, o Tricolor teve um problema inesperado. Mariano sentiu dores e precisou deixar a partida. Enderson Moreira, que comanda o time interinamente, optou por arriscar e deixar o time mais ofensivo. Sem um lateral de origem no banco, decidiu colocar Deco no jogo. Souza passou então a atuar na direita. O luso-brasileiro voltou a participar de uma partida oficial após dois meses parado por conta de uma lesão na coxa.

Mostrando vontade, Deco tentou ajudar o meio-campo a criar jogadas. Em um chute seu de fora da área, a bola bateu na defesa e ia sobrar para Fred, mas o goleiro Navarrete foi mais rápido e chegou na bola. O atacante trombou com o arqueiro e o juiz entendeu que ele tentou simular um pênalti, mesmo sem ter caído, e lhe deu o amarelo, causando revolta nos torcedores.

Sem ver as chances transformadas em gol, a torcida passou a pedir a entrada de Rafael Moura. Aos 24, Enderson atendeu o pedido e colocou o He-Man no lugar de Emerson. O atacante mal teve tempo de aquecer quando viu o América-MEX voltar a marcar. Sanchez puxou contra-ataque pela esquerda e cruzou para a área. A bola fez uma curva e foi em direção ao gol. Ricardo Berna não conseguiu chegar e Digão, ao tentar cortar, mandou contra as próprias redes.

Enderson partiu para o tudo ou nada e tirou Julio Cesar para colocar Araújo. Mesmo desorganizado, o time tricolor tentou tirar forças para não ver sua chance de continuar no torneio praticamente acabar. E a modificação parece ter dado certo. Deco recebeu na direita e cruzou na medida para Araújo. O atacante mostrou estar com a pontaria calibrada e deixou tudo igual, aos 34.

Para coroar a volta de Deco aos campos, o meia foi o responsável por deixar o Fluminense vivo na Libertadores. Após bola lançada na área, Fred desviou de cabeça e o apoiador se antecipou à defesa tocando por cima do goleiro. No apito final, os jogadores comemoraram muito a vitória e a torcida mostrou que voltou a acreditar no time:

“O campeão voltou”.

FLUMINENSE 3 X 2 AMÉRICA-MEX
Ricardo Berna, Mariano (Deco), Gum, Digão e Julio Cesar (Araújo); Valencia, Diguinho, Souza e Conca; Emerson (Rafael Moura) e Fred Navarrete, Layun, Treviño, Valenzuela e Rojas; Pardo, Rosinei, Oliveira (Reyna) e Montenegro; Vuoso (Esqueda) e Vicente Sanchez
Técnico: Enderson Moreira Técnico: Carlos Reinoso
Gols: Sanchez, aos 14 do primeiro tempo para o América-MEX. Gum, aos 21 do primeiro tempo para o Fluminense. Digão, contra, para o América-MEX, aos 27 do segundo tempo. Araújo, aos 34, e Deco, aos 42, do segundo tempo, para o Fluminense
Cartões amarelos: Oliveira, Pardo  e Rojas (América-MEX). Gum e Fred (Fluminense)
Local: Engenhão. Data: 23/03/2011. Árbitro: Antonio Arias (PAR). Auxiliares: Milcíades Saldívar (PAR) e Darío Gaona (PAR). Público pagante: 11.987. Público presente: 13.158. Renda: R$ 536.765,00

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